Prefeitura prevê a expansão do projeto Civitas com monitoramento eletrônico em toda a cidade
A cidade do Rio de Janeiro contará com 20 mil câmeras operadas com recurso de inteligência artificial para apoiar a segurança pública da cidade até 2028. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo prefeito Eduardo Paes e pelo vice-prefeito Eduardo Cavaliere no Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio). O sistema vai funcionar atrelado ao plano de expansão do projeto Civitas (Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública) do município.
A ideia é que a expansão leve em conta critérios técnicos definidos em parceria com as forças de segurança: áreas com alta demanda de reforço policial, manchas criminais e zonas com vulnerabilidade tecnológica. Entre os locais que ganharão o equipamento estão as vias expressas, como a Avenida Brasil. Só não terá monitoramento nos parques da Tijuca e no da Pedra Branca. Todas as vias de grande circulação terão monitoramento.
Hoje, são cerca de 5.500 câmeras. O planejamento, dividido em fases, prevê 8.900 equipamentos até o fim deste ano. Até o carnaval de 2026 serão 9.300 em funcionamento. O cronograma da prefeitura prevê ainda que até agosto do ano que vem 11.700 câmeras já estejam instaladas. As atuais, que não dispõem da nova tecnologia, deverão ser desativadas gradativamente, a medida que as novas sejam instaladas.
“Todos os pontos cegos que existem hoje na cidade, todas as vias de grande circulação terão cobertura dessas câmeras. É óbvio que não vai ser cada ruazinha de cada sub-bairro da cidade do Rio de Janeiro. Um dia chegaremos lá, à medida que isso for se massificando, ou a tecnologia for se massificando”, prometeu o prefeito.
As novas câmeras são capazes de fazer a leitura de veículos, detecção de automóveis, bicicletas e pessoas, reconhecimento facial e a contagem de carros. A tecnologia de reconhecimento facial além de ajudar a localizar foragidos da justiça pode ser utilizada também na busca por pessoas desaparecidas.
A central atua por demanda dos órgãos de segurança, que é feita por meio de ofícios nos quais os investigadores pedem formalmente os dados necessários. Caso seja informação sobre uma placa de automóvel, por exemplo, ela é pesquisada entre as coletada pelo sistema de câmeras. Balanço divulgado durante a coletiva mostra que 6,1 milhão de placas são lidas diariamente pelo sistema, sendo 3,5 milhões de placas registradas e armazenadas.
Por sua vez, nos limites da cidade serão instalados portais com câmeras que permitem identificar automaticamente placas investigadas como clonadas, movimentações atípicas de carros e pessoas e movimentação de veículos suspeitos em tempo real. Esses portais foram batizados de Fronteiras Digitais. Serão instalados 56 pórticos (nas fronteiras de entradas e saídas da cidade) e semipórticos (em pontos estratégicos da cidade, como as grandes vias) no total. A previsão é de que isso ocorra até o final do ano.
“O que nós vamos fazer com isso é agir contra os criminosos. Então, um carro roubado que entrar na cidade do Rio de Janeiro vai ser imediatamente identificado. Um carro que esteja com fugitivos, um cidadão que passe numa via dessa e tenha o seu nome num banco de dados de fugitivos, isso será imediatamente acionado”, disse o prefeito.
No cronograma da prefeitura, a nova fase com esses equipamentos começa em setembro, com início da implementação da rede e infraestrutura na primeira quinzena; o início da implantação das câmeras e instalação dos servidores e primeiras imagens recebidas pelo COR-Rio, ambos na segunda quinzena.
“Nós estamos criando um novo equipamento para o Civitas, que é a chamada fronteira digital. Ou seja, todas as entradas e saídas da cidade do Rio de Janeiro terão pórticos de câmeras. Ou seja, ninguém entra ou sai da cidade sem ser monitorado. Passará a ser uma cidade com um cercamento digital”, disse Paes.
A inteligência artificial, desenvolvida pela própria prefeitura, foi batizada de Íris e será uma espécie de assistente virtual. A promessa é que em dez segundos será possível cruzar dados de diferentes fontes, identificar atitudes suspeitas, reconhecer rostos, aglomerações e ajudar em investigações complexas. Ela também seria capaz de antecipar situações de risco com base em padrões anteriores.
“Agora com o auxílio da iris, eu torno ainda mais veloz o processamento para que eu consiga rastrear um veículo por suas características, cor, modelo, buscar uma pessoa pelo uso da sua vestimenta”, exemplifica o prefeito.
Para isso, a IA opera com base de dados de diversas fontes tais como: Disque Denúncia, Central 1746, Instituto Fogo Cruzado, datalake municipal (sistema da própria prefeitura) com dados de 20 secretarias, câmeras inteligentes e redes. O Civitas passará a funcionar em uma nova sala do COR-Rio, construída no ano passado para reuniões de trabalho relativas ao G20 e que ainda será preparada para receber a central.
“Ela (Iris) revela padrões, reconhece rostos, detecta atitudes suspeitas. Cria um mapa de calor para entender onde o crime acontece. Busca informações específicas, como um carro por modelo e cor, ou uma pessoa com características, como estar de blusa branca”, exemplificou o chefe executivo do Civitas, Davi Carreiro.
A previsão do prefeito é de que esses avanços tecnológicos no monitoramento das ruas da cidade custem cerca de R$ 180 milhões por ano aos cofres municipais. O investimento, segundo Paes, foi possível a partir de um aditivo de uma parceria público-privada com a Smart Luz.
Durante a entrevista, o prefeito destacou seu objetivo de trabalhar sempre em parceria e colaboração com o governo do estado e fez alguns ataques à política de segurança pública do estado.
“É meio difícil de imaginar que isso já não tivesse a disposição das Forças de Segurança pelo próprio Estado, daí a necessidade, a iniciativa da Prefeitura de fazê-lo e avançar nisso, usar algo que é óbvio no mundo inteiro hoje, que é usar a ciência, a tecnologia, a Serviço da Segurança. Isso vai explicando um pouco aquela primeira expressão que eu usei aqui, a ausência de gestão na condução da política de segurança pública do estado, que expõe inclusive os nossos policiais”, criticou.
De acordo com a prefeitura, a tecnologia exclusiva do sistema segue quatro pontos durante o monitoramento, sendo assim:
- Identifica, mesmo sem a informação completa;
- Rastreia, com monitoramento da circulação pela cidade;
- Conecta, realizando o cruzamento de dados e estabelecendo conexões;
- Antecipa, através do cruzamento de dados.
O projeto também vê resultados a partir da parceria com o Disque Denúncia, firmada desde o início das operações, em que foram constatados: aumento de 40% das denúncias anônimas em todo estado; crescimento de 58,5% no número de denúncias de violência contra a mulher; e crescimento de 37,99% Dados de Disque Denúncia só na cidade do Rio. Com horário de atendimento ampliado para 24 horas, estima-se que se evitou perder mais de 20 mil denúncias.
O Civitas foi inaugurado em junho de 2024. Nesta quinta-feira foi divulgado um balanço do projeto:
- 160 mil alertas emitidos em tempo real;
- 6,1 milhões de leituras diárias de placas;
- 3,5 milhões de placas registradas e armazenadas;
- Mais de 2 mil inquéritos, casos e apoio a operações policiais;
- 220 casos ligados a homicídios.
