Inovação que resolve: tecnologia, dados e colaboração impulsionam a transformação nos municípios

Painel destaca práticas reais que estão redesenhando serviços municipais e ampliando eficiência com uso inteligente de dados na edição 2025 do Granpal Summit, encontro de inovação e gestão pública realizado pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre.

O painel ‘Inovação que resolve’ reuniu a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia de Gravataí, Selma Fraga; o CEO da GovTools, Willian Marcos; e o especialista em inovação para governos, Rafael Bechelin. O trio debateu como as cidades estão modernizando seus serviços públicos com o uso de dados, interoperabilidade, inteligência artificial e novos modelos de gestão.

Selma abriu o debate apresentando o caso de Gravataí, que precisou estruturar rapidamente soluções digitais após eventos climáticos que afetaram diversos bairros no município. A prefeitura iniciou um processo emergencial de cadastro, validação de dados e atendimento à população que resultou em mais de 20 mil CPFs registrados e cerca de R$ 11 milhões recuperados aos cofres públicos.

A experiência evidenciou um problema comum a várias cidades: a baixa qualidade e fragmentação dos dados públicos. “Não é falta de dinheiro. Muitas vezes é falta de governança e de contratos bem estruturados”, afirmou. A secretária destacou ainda o uso de plataformas digitais em áreas como bem-estar animal, comunicação escolar e gestão de demandas, além do planejamento para criar, até 2026, uma camada única de dados interoperáveis para toda a prefeitura.

Rafael reforçou que qualquer avanço em Inteligência Artificial depende, antes, de bases sólidas de informação. “Todo mundo quer IA no governo, mas sem dados isso não existe. É como dirigir um carro sem combustível”, comparou. Para ele, governança, padronização e segurança são condições essenciais para que soluções de tecnologia gerem impacto real no serviço público.

Willian aprofundou o debate ao abordar a dificuldade que as prefeituras enfrentam para integrar sistemas e consumir dados, muitas vezes isolados em plataformas fechadas. Ele destacou a importância de uma Interface de Programação de Aplicações abertas e de novas exigências nos contratos públicos para permitir interoperabilidade e garantir que a administração seja, de fato, a dona dos próprios dados. Segundo ele, quando o fornecedor trabalha junto com o servidor, com provas de conceito, acompanhamento próximo e clareza técnica, o resultado aparece no dia a dia: menos burocracia, mais agilidade e serviços mais eficientes.

O painel encerrou reforçando que inovação no setor público não é luxo, mas investimento inteligente. “Prefeitos não hesitam em gastar milhões em asfalto, mas resistem a investir valores menores em inovação, mesmo quando o retorno é vinte vezes maior”, provocou Rafael. Para os três, a transformação digital dos municípios passa por colaboração, cultura de dados e coragem de revisar modelos antigos. E, como destacou Selma, o impacto já é concreto: “Quando o servidor vê o resultado, ele ganha tempo, reduz estresse e melhora o atendimento ao cidadão. É isso que a inovação pública precisa entregar.”

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