Filtros de segurança de IAs da Meta e do Google podem ser removidos em menos de dez minutos

Técnica chamada “abliteration” modifica parâmetros internos de modelos de código aberto e elimina restrições das plataformas.

Pesquisadores de segurança e órgãos reguladores emitiram alertas após testes demonstrarem que os filtros de proteção de modelos de inteligência artificial de grandes empresas são desativados em poucos minutos sem necessidade de infraestrutura especializada.

Segundo Financial Times, a manobra é possível usando um software chamado Heretic, disponível publicamente, testadores conseguiram remover os guardrails do Llama 3.3, modelo de código aberto da Meta, em menos de dez minutos e com poucas linhas de código.

Após a modificação, o modelo passou a responder perguntas sobre criação de malware, crimes digitais e outros conteúdos que normalmente recusaria.

O método utilizado se chama abliteration e funciona atuando diretamente nos pesos internos do modelo, os parâmetros que definem seu comportamento.

Em vez de tentar enganar a IA com instruções criativas, como fazem os chamados jailbreaks por engenharia de prompt, a abliteration simplesmente elimina os padrões associados às respostas de recusa. O resultado é um modelo que estruturalmente deixa de reconhecer comandos como proibidos.

Por que modelos abertos são os mais vulneráveis

O problema atinge especialmente os chamados modelos open-weight, aqueles cujos parâmetros internos podem ser baixados e modificados por qualquer usuário.

Além do Llama 3.3, o Gemma, do Google, está entre os principais alvos identificados pelos pesquisadores. Milhares de versões modificadas e sem restrições já circulam em fóruns e repositórios sem qualquer controle dos desenvolvedores originais.

Modelos proprietários como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, são mais resistentes a esse tipo de ataque, justamente por não permitirem acesso direto aos parâmetros. Ainda assim, permanecem vulneráveis a jailbreaks por manipulação de prompts.

O desafio para as empresas

As empresas envolvidas reconhecem o problema, mas com posições distintas. A Meta afirma avaliar riscos antes de liberar seus modelos para mitigar ameaças mais graves. O Google diz focar em avaliações pré-lançamento e reconhece o desafio técnico da questão.

Já o GitHub permite a publicação dos códigos de abliteration por considerá-los de valor educacional, proibindo apenas ataques diretos a sistemas.

O cenário preocupa especialmente diante de um dado adicional, modelos mais recentes já demonstram capacidade de identificar falhas em softwares amplamente utilizados, o que amplia o potencial ofensivo de versões sem restrições.

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