O Banco Rendimento, especializado em câmbio, crédito e pagamentos, confirmou ter sido alvo de um ataque hacker na terça-feira, 21 de abril. Em comunicado oficial, a instituição afirmou que o incidente afetou “alguns canais de acesso aos clientes, que impactou algumas contas”, sem detalhar o número de usuários afetados ou eventuais prejuízos financeiros. O banco, porém, não abriu o número de usuários impactados, nem eventuais volumes financeiros.
Segundo o banco, as equipes de segurança da informação e tecnologia agiram “de forma imediata” para isolar a ameaça. Os protocolos de proteção foram reforçados para evitar novas ocorrências, e os serviços já foram normalizados. O caso foi comunicado às autoridades competentes para investigação.
Mais um incidente no setor financeiro brasileiro
O episódio se soma a uma série de incidentes cibernéticos que afetaram o sistema financeiro nacional em 2026. Em março, o BTG Pactual teve um desvio de cerca de R$ 100 milhões e chegou a suspender temporariamente as operações via Pix.
Em janeiro, o Banco do Nordeste sofreu uma tentativa de ataque e também precisou desabilitar transações pelo Pix como medida preventiva.
]]>Os workspace agents representam uma evolução dos GPTs e são alimentados pela tecnologia Codex. Segundo a empresa, eles podem assumir diversas atividades comuns no ambiente corporativo, como elaboração de relatórios, escrita de código e resposta a mensagens. Por operarem na nuvem, esses agentes continuam executando tarefas mesmo quando o usuário não está ativo.
A proposta também inclui o compartilhamento dentro das organizações, permitindo que equipes criem um agente uma única vez e o utilizem coletivamente no ChatGPT ou em plataformas, como o Slack, com possibilidade de aprimoramento contínuo.
IA melhorada no ChatGPT para empresas
De acordo com a OpenAI, embora a inteligência artificial (IA) já tenha contribuído para aumentar a produtividade individual, muitos fluxos de trabalho organizacionais dependem de contexto compartilhado, transições entre equipes e tomada de decisões colaborativas.
Os workspace agents foram projetados para atender a esse tipo de demanda, sendo capazes de reunir informações de diferentes sistemas, seguir processos internos, solicitar aprovações e dar continuidade a tarefas em múltiplas ferramentas.
Como exemplo, a empresa cita o uso interno por sua equipe de vendas, que utiliza um agente para reunir informações de anotações de chamadas e pesquisas de contas, qualificar leads e redigir e-mails de acompanhamento diretamente na caixa de entrada dos representantes.
A OpenAI também destacou exemplos de agentes que podem ser criados por equipes, como revisores de software que avaliam solicitações de funcionários e verificam conformidade com políticas internas, sistemas que organizam feedback de produtos a partir de canais, como Slack e fóruns públicos, geradores de relatórios semanais com dados e análises, agentes de prospecção de clientes que pesquisam leads e redigem contatos personalizados, e ferramentas de análise de risco de fornecedores.
Os agentes operam em um ambiente de trabalho na nuvem, com acesso a arquivos, códigos, ferramentas e memória. Além de responder a comandos, eles podem executar código, utilizar aplicativos conectados, armazenar aprendizados e continuar tarefas ao longo de múltiplas etapas.
Outra característica destacada é a capacidade de funcionamento contínuo. Os agentes podem ser programados para rodar em horários definidos ou integrados ao Slack para responder automaticamente a solicitações. Um exemplo citado pela empresa envolve um agente que responde perguntas de funcionários em canais internos, fornecendo respostas, links para documentação e abertura de chamados quando necessário.
A OpenAI afirma ainda que os agentes também permitem transformar práticas internas em fluxos reutilizáveis. Um exemplo citado é o de uma equipe de contabilidade que utiliza um agente para automatizar partes do fechamento mensal, incluindo lançamentos contábeis, reconciliações e análises de variação.
Segundo a empresa, os usuários mantêm controle sobre os agentes, podendo definir quais dados e ferramentas podem ser acessados, quais ações podem ser executadas e quando aprovações são necessárias, especialmente em tarefas sensíveis, como envio de e-mails ou alterações em documentos.
Ferramentas de análise permitem acompanhar o uso dos agentes, incluindo número de execuções e quantidade de usuários. Para ambientes corporativos, o recurso inclui monitoramento e controles administrativos, permitindo a gestão de acessos, ações e integração com ferramentas conectadas.
A empresa também informou que mecanismos de segurança foram incorporados para manter os agentes alinhados às instruções, inclusive diante de conteúdos externos potencialmente enganosos.
Por meio de uma API de conformidade, administradores podem acompanhar configurações, atualizações e execuções dos agentes, além de suspender seu funcionamento, se necessário. Futuramente, será possível visualizar todos os agentes criados dentro de uma organização em um painel administrativo.
Testes iniciais indicam que usuários têm obtido resultados mais consistentes e ganho de tempo para atividades de maior valor, indica a startup.
Como criar um agente e disponibilidade
Os workspace agents estarão disponíveis gratuitamente até 6 de maio de 2026. Após essa data, será adotado um modelo de cobrança baseado em créditos.
A OpenAI afirmou que pretende expandir as funcionalidades nas próximas semanas, incluindo novos gatilhos automáticos, painéis de desempenho mais detalhados, maior integração com ferramentas corporativas e suporte no aplicativo Codex.
Segundo a empresa, a iniciativa busca facilitar o acesso ao conhecimento organizacional, simplificar processos e permitir que equipes trabalhem com mais eficiência, com apoio de sistemas de IA integrados ao fluxo de trabalho.
]]>Entre os nomes internacionais já confirmados estão Laura Gilbert, referência do Reino Unido em IA no setor público, diretora sênior do instituto britânico Tony Blair; e Sandra Sinde Cantorna, da Espanha, uma referência internacional em compras públicas inovadoras. Entre outros nomes estão o economista, Head do Fundo GovTech, da KPTL e Cedro Capital, Adriano Pitoli; a consultora de IA e Transformação Digital no Tony Blair Institute, com 20 anos de experiência entre governos nacionais e internacionais e o setor privado, Andrea Motta; a jornalista, historiadora e integrante do Programa Mulheres Inovadoras da Finep, Angela Medeiros; a diretora de Inovação da GNova/Enap, onde foi responsável pelo desenvolvimento do gov.br/desafios e da Estratégia de Inovação Aberta da escola, Camila Medeiros; o superintendente Estadual da Secretaria da Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC) de Rondônia, Delner Freire; o diretor-adjunto do UK-Brazil Tech Hub, Desenvolvimento Digital, Cooperação Internacional e Gestão de Projetos, Gabriel Izaguirre; o Head of Innovation da Prodesp, Jonathan Hilander; o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS, Jorge Audy; o subsecretário de Tecnologia da Informação do Governo de Goiás, Márcio Cesar Pereira; o Procurador do Estado de São Paulo, Rafael Fássio; o diretor-executivo do CELTA/Fundação CERTI, Tony Chierighini; e a advogada especialista em conectar o setor público e o privado por meio da inovação, Camila Murta.
O palco principal será o espaço dedicado ao aprofundamento das trilhas de conteúdo que estruturam o evento. É nesse ambiente que o GovTech Summit 2026 também realizará a segunda edição do Prêmio GovTech Summit, reconhecendo iniciativas e soluções que vêm gerando impacto positivo na gestão pública. Ao longo dos painéis e palestras, o público terá contato com novas soluções, experiências e oportunidades para governos e startups, fortalecendo conexões e ampliando caminhos para a inovação no setor público.
“O GovTech Summit é um espaço essencial de escuta, reflexão e construção coletiva sobre o futuro do setor público brasileiro. Mais do que um evento, é um ponto de convergência entre quem pensa, quem decide e quem executa a inovação no Estado. Propõe um debate qualificado, técnico e responsável sobre temas centrais da agenda pública contemporânea, da segurança digital e cibernética ao uso ético de dados e inteligência artificial, do governo digital à integridade, transparência e modernização da gestão, passando pelo papel estratégico das compras públicas de inovação e pelo amadurecimento do ecossistema GovTech”, complementa Téo Girardi.
No ano anterior, o GovTech Summit reuniu mais de 1600 participantes de 17 estados brasileiros, além do Distrito Federal, cerca de 70 palestrantes e 16 startups expositoras. O evento também apresentou novas oportunidades para o ecossistema de inovação no setor público, como o lançamento da GovTech Place e a assinatura de um acordo de cooperação entre Reino Unido e Brasil, e reconheceu soluções desenvolvidas para o benefício da sociedade por meio de sua premiação.
O GovTech Summit é uma das frentes do hub GovTech Lab, um projeto de transformação governamental. O evento é idealizado pela Moove – a primeira agência com o selo GovTech do Brasil, certificada pela BrazilLab.
]]>A combinação de aprendizado de máquina com dados permite reduzir custos, eliminar retrabalho, melhorar o atendimento ao cliente, otimizar a tomada de decisão, entre outros benefícios. Mas para que essa equação gere de fato valor, é preciso primeiro olhar para dentro de casa: sua base de dados é sólida e padronizada?
Apesar do avanço acelerado da IA, seu desempenho continua totalmente dependente da qualidade, integração e governança dos dados. Para que a tecnologia funcione adequadamente e atenda às necessidades do negócio é preciso garantir a acurácia das informações, respeitando requisitos de segurança, privacidade e compliance.
Na ausência desses elementos, a inteligência artificial pode até ser implementada, mas dificilmente vai operar com alta precisão e sem viés, ou pior, pode amplificar ineficiências já existentes. IA multiplica valor (ou o caos) na mesma proporção do estado dos seus dados.
Desafio do ROI
Adaptar-se e evoluir com a IA é uma jornada desafiadora. Um dos maiores gargalos enfrentados pelas empresas hoje é a lacuna significativa entre o investimento e o resultado financeiro concreto. Muitas organizações estão percebendo que o retorno sobre o investimento (ROI) de suas soluções de IA é insuficiente.
Ao mesmo tempo em que aumentar a eficiência operacional é o principal objetivo da agenda de IA da maioria dos CIOs brasileiros (92%), a validação do retorno sobre o investimento (ROI) está entre os três principais desafios para a criação/execução de uma iniciativa de IA na empresa para 36% deles, ficando atrás apenas da dificuldade em estabelecer um caso de uso eficiente para o negócio (52%). Os dados são do Antes da TI, a Estratégia 2026, estudo anual do IT Forum, que conta, até o momento, com 243 respondentes.
O acompanhamento do ROI da IA requer uma abordagem estratégica, com indicadores-chave de desempenho (KPIs) específicos para monitorar não somente a redução de custos. Muitas iniciativas falham porque ignoram benefícios como ganho de produtividade, redução de riscos e melhoria na experiência do cliente, fatores que também impactam o resultado financeiro, mesmo que indiretamente.
A combinação entre dados e IA já se consolidou como um dos principais pilares de eficiência operacional nas empresas. No entanto, o diferencial competitivo não está apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade de estruturá-la de forma estratégica.
Organizações que investem em dados de qualidade, integram tecnologia ao negócio e adotam uma abordagem orientada a valor conseguem transformar IA em resultados concretos, reduzindo custos, aumentando produtividade e acelerando decisões.
]]>O Brasil busca ampliar sua participação no mercado global de tecnologia com um projeto de grande escala voltado à instalação de data centers para inteligência artificial. A empresa Scala Data Centers desenvolve um complexo que pretende atrair grandes companhias internacionais do setor.
Segundo informações da Bloomberg, a companhia negocia com empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da China para garantir a presença de um “hiperescalador”, responsável por operar infraestrutura de alto volume de dados e processamento.
A primeira fase do projeto, chamado Scala AI City, deve começar no fim deste ano, de acordo com o vice-presidente sênior da empresa, Luciano Fialho. “O Brasil tem uma janela de oportunidade”, afirmou. “É uma grande chance para o país se posicionar e atrair bilhões em investimentos.”
O investimento inicial em infraestrutura é estimado em cerca de US$ 500 milhões. Já as empresas que utilizarem o complexo poderão aplicar valores superiores em equipamentos voltados à inteligência artificial.
O empreendimento será instalado na região de Porto Alegre e já possui aprovação para conexão energética de até 5 gigawatts, volume comparável ao consumo de grandes cidades. A disponibilidade de energia renovável, a rede de fibra óptica e a integração do sistema elétrico nacional são apontadas como fatores favoráveis à expansão do setor no país.
De acordo com Fialho, empresas dos EUA e da China poderão operar em estruturas separadas dentro do complexo, sem comprometer a segurança de dados.
O cenário internacional também influencia o interesse por novas localizações. Ataques a data centers em países do Oriente Médio têm levado empresas a buscar regiões consideradas mais seguras para instalação de infraestrutura crítica.
Autoridades locais avaliam que o projeto pode impulsionar a economia regional. O secretário de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, Leandro Evaldt, afirmou que a iniciativa deve fortalecer o estado como polo tecnológico. “É um projeto que impulsionará ainda mais nossa economia e estabelecerá o estado como referência em tecnologia e inovação no Brasil e na América Latina”, disse.
A Scala foi criada em 2020 após a aquisição de ativos da UOL Diveo pelo fundo DigitalBridge. A empresa também mantém investimentos em São Paulo, onde desenvolve um campus de data centers com aporte de cerca de R$ 12 bilhões e previsão de expansão para 600 megawatts.
]]>Segundo o executivo, a base dessa transformação começou a ser estruturada ainda entre 2012 e 2015, quando a agência já coletava grandes volumes de dados do setor de telecomunicações — incluindo informações sobre qualidade de serviço, atendimento ao consumidor e certificação de produtos. No entanto, esses dados estavam dispersos e pouco organizados internamente.
“Apesar de termos uma base robusta, inclusive com dados abertos disponíveis à sociedade, a Anatel não tinha uma estrutura consolidada para usar essas informações de forma estratégica. Muitas decisões eram apoiadas em dados organizados por entidades externas ao órgão”, afirma.
Governança e analytics como pilares
A virada começou em 2017, com a criação da primeira política formal de governança de dados. Foi nesse contexto que a agência adotou soluções da Qlik, escolhidas pela facilidade de uso e pela capacidade de democratizar o acesso à informação.
“A decisão foi estratégica: precisávamos de uma ferramenta que permitisse às áreas de negócio enxergar valor rapidamente nos dados. O Qlik trouxe essa capacidade de visualização e acesso de forma intuitiva”, explica Nery.
Ao longo do tempo, a adoção evoluiu, com a incorporação de novas funcionalidades e a ampliação do uso da plataforma. Um marco importante ocorreu em 2021, com a contratação de soluções mais avançadas da companhia, consolidando o ambiente analítico da Anatel.
Mas, segundo o superintendente, tecnologia sozinha não resolve. “De nada adianta ter dados e ferramentas se as pessoas não estiverem preparadas. Por isso, capacitamos mais de 400 servidores e institucionalizamos uma política de self-service BI.”
O resultado foi uma mudança cultural significativa. A agência passou a operar com um modelo descentralizado, no qual as próprias áreas constroem seus painéis e análises, reduzindo gargalos e aumentando a agilidade.
Democratização e transparência
Hoje, a Anatel disponibiliza mais de 150 painéis públicos — segundo o executivo — e mais de mil dashboards internos utilizados na tomada de decisão.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o painel de certificação de produtos homologados, amplamente acessado pela população. “São mais de 600 mil acessos. O cidadão pode verificar se um produto é regular antes de comprar, o que ajuda inclusive no combate à venda de itens ilegais”, destaca.
A ferramenta também é utilizada em campo pelas equipes de fiscalização, permitindo decisões em tempo real.
Esse modelo contribuiu para a quebra de silos internos e para a consolidação de uma cultura orientada a dados. “Antes, cada área tinha seu sistema. Hoje, cada área tem seu painel — mas dentro de uma governança que garante consistência e confiabilidade.”
Infraestrutura e migração para modelo híbrido
Com o crescimento exponencial dos dados, a infraestrutura também precisou evoluir. A Anatel está em processo de renovação de seu data center, com a implantação de uma nova instalação prevista para este ano.
O desafio, segundo Nery, vai além da aquisição de equipamentos. “A migração é o ponto mais sensível. Estamos falando de trazer todo um legado de sistemas e dados para um novo ambiente, com segurança e continuidade operacional.”
Paralelamente, a agência firmou contrato com o Serpro para adoção de um modelo de cloud broker, alinhado ao conceito de soberania de dados.
“A ideia é trabalhar dados sensíveis dentro de uma nuvem de governo, garantindo controle e segurança, mas ao mesmo tempo acessando serviços avançados de nuvem”, explica.
Esse movimento inclui integração com provedores como a Amazon Web Services e tecnologias da Microsoft, consolidando um ambiente híbrido — com parte dos dados em infraestrutura própria e parte na nuvem.
Apesar da magnitude, a governança central é conduzida por uma equipe enxuta. “Hoje, três pessoas cuidam diretamente da governança de dados. Isso só é possível porque o modelo foi desenhado para ser distribuído e eficiente”, ressalta.
IA soberana e novos desafios
No campo da inteligência artificial, a Anatel avança com cautela, priorizando segurança e governança. A agência já desenvolveu um assistente interno integrado ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), e agora trabalha na evolução dessa camada com suporte de múltiplas nuvens.
“A gente precisa evitar o uso descontrolado de ferramentas externas. Quando um servidor exporta dados sensíveis para uma IA pública, há risco. Por isso, estamos construindo uma camada corporativa de IA, integrada e segura”, afirma.
A estratégia inclui avaliar soluções analíticas com IA embarcada — como as oferecidas pela Qlik — para ampliar a capacidade de geração de insights sem comprometer a governança.
Foco no valor público
Para Nery, o principal objetivo da transformação é reposicionar a área de tecnologia da Anatel como agente estratégico. “Queremos deixar de ser uma TI reativa e passar a ser uma TI que entende o negócio, antecipa demandas e entrega valor real”, diz.
Esse valor se traduz tanto na melhoria da experiência dos servidores quanto na ampliação da transparência para a sociedade.
“Quando disponibilizamos dados de forma clara e acessível, estamos prestando contas ao cidadão. E essa é uma das funções mais importantes de uma agência reguladora.”
Com a consolidação do modelo híbrido, o avanço da IA soberana e a expansão do uso de analytics, a Anatel se posiciona como uma das referências no uso de dados no setor público brasileiro — um movimento que tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
]]>Segundo uma nova pesquisa realizada pela Gallup junto com a Walton Family Foundation e a GSV Ventures, mais da metade da Geração Z estadunidense utiliza a IA generativa com frequência. Apesar da assiduidade, a opinião dos internautas sobre esta tecnologia apenas piora com o tempo.
No ano passado, a mesma pesquisa relatou que 27% dos entrevistados entre 14 e 29 anos diziam sentir esperanças em relação à inteligência artificial. Já em 2026, esse número caiu 9 pontos percentuais e chegou à marca de 18%. O entusiasmo dos jovens sobre a IA caiu e um terço dos entrevistados relataram sentir raiva da tecnologia.
O estudo ocorreu entre fevereiro e março desse ano e ouviu mais de 1.500 usuários. Os resultados sugerem que a antipatia pela IA se estende até às gerações mais novas — que ainda tentam se firmar no mercado de trabalho.
Muitos entrevistados reconheceram que a tecnologia poderia aumentar a eficiência deles nas atividades cotidianas, como escola e trabalho. Mas se preocupam com o impacto disso na criatividade e no pensamento crítico.
Esse dado surpreendeu Zach Hrynowski, pesquisador sênior de educação da Gallup, que disse: “Na maioria desses casos, a Geração Z tornou-se cada vez mais cética, cada vez mais negativa — partindo de uma posição em que, mesmo no ano passado, eles não eram particularmente positivos em relação a isso.”
E os jovens já empregados se mostravam com esse pensamento ainda mais maturado. Quase metade desses entrevistados afirmou que os riscos da IA superavam suas possíveis vantagens no ofício, 11 pontos percentuais acima do resultado no ano anterior. Apenas 15% disseram enxergar a IA como um benefício completo.
Pesquisa alimenta debate sobre a IA na vida do jovem
Essa pesquisa surge em um momento de discussão no ambiente escolar. Pais, alunos, docentes e políticos debatem qual o papel da inteligência artificial na vida do jovem.
Esses jovens têm recorrido a chatbots, como o ChatGPT, para questões da juventude, como conselhos sobre relações sociais e ajuda com tarefas escolares, podendo escalar para questões complexas, como a escolha de uma universidade.
Metade dos entrevistados pelo estudo relataram usar a IA diariamente ou semanalmente; esse número é ainda maior entre os entrevistados mais jovens, segundo Hrynowski. E pouco menos de 20% disseram não usar a tecnologia.
Ainda durante as entrevistas, jovens adultos citaram ameaça ao emprego inicial, a disseminação de desinformação e a substituição de interações com humanos como principais receios em relação a IA.
“Sinto que tudo aquilo que me interessa tem potencial para ser substituído, mesmo nos próximos anos.“, disse Sydney Gill, de 19 anos e caloura da Universidade Rice, em Houston. Ela se dizia otimista sobre a tecnologia durante o ensino médio.
Abigail Hackett, de 27 anos, trabalha no setor de turismo e hotelaria e disse que algumas IAs economizam bastante tempo de trabalho. Porém, não as usam na sua vida pessoal por medo de que suas habilidades sociais sejam afetadas.
“Acho que algumas dessas coisas são muito humanas, e gostaria que continuassem assim“, disse Hackett para a pesquisa da Gallup.
Já outros participantes se mostravam mais esperançosos. Como Ryan Guckian, de 30 anos, que trabalha com testes de software. Ele disse usar um chatbot de IA para questões cotidianas, como melhorar uma linha de código ou pensar em uma receita para a namorada.
Apesar dos sentimentos contraditórios, muitos desses entrevistados acreditam que o domínio da IA como uma ferramenta será crucial ao longo de suas vidas. Mesmo tão jovens, quase metade dos entrevistados no ensino médio tem uma consciência da necessidade de dominar essa tecnologia para suas futuras carreiras.
Apesar de tudo, ainda pode haver espaço para evolução na maneira como veem a inteligência artificial. Ao serem perguntados sobre emoções pela pesquisa, a resposta mais escutada foi curiosidade.
]]>A nova presidenta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, afirmou em entrevista ao programa A Voz do Brasil que sua gestão priorizará a modernização tecnológica e a agilidade nas análises para resgatar a credibilidade do órgão. Servidora de carreira, Silveira aposta no conhecimento técnico dos fluxos internos para otimizar o atendimento a milhões de brasileiros. A estratégia combina o fortalecimento do aplicativo Meu INSS com parcerias estratégicas junto à Dataprev para garantir a estabilidade dos sistemas previdenciários.
Durante a entrevista, a gestora apresentou um diagnóstico sobre o volume de processos acumulados. Segundo Silveira, embora existam 2,7 milhões de protocolos abertos, a “fila real” de atrasos está em torno de 900 mil requerimentos. Isso ocorre porque o montante total inclui cerca de 1,3 milhão de pedidos novos que entram mensalmente e outros 500 mil que aguardam providências dos próprios segurados, como a entrega de documentos complementares ou o comparecimento às agências.
Para acelerar as concessões, o INSS manterá a realização de mutirões regionalizados, com foco nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde a demanda reprimida é mais acentuada. As ações priorizam o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e auxílios por incapacidade. Ferramentas como o Atestmed, que permite a análise documental de benefícios por incapacidade temporária, e a Perícia Conectada, voltada para áreas remotas, são peças-chave no plano de redução do estoque de pedidos, que já registrou queda de 130 mil processos desde o início do ano.
Ana Cristina Silveira também buscou tranquilizar os aposentados e pensionistas sobre boatos envolvendo a Carteira de Identidade Nacional (CIN). A exigência da biometria via CIN para novos benefícios foi oficialmente adiada para 1º de janeiro de 2027. Ela ressaltou que não haverá corte ou cessação de pagamentos por falta do novo documento e alertou a população para não clicar em links suspeitos recebidos por SMS ou WhatsApp, orientando que qualquer dúvida seja sanada pelo telefone 135 ou diretamente nas agências.
]]>A pesquisa State of Industrial AI Report, divulgada pela Cisco, analisa como infraestruturas críticas estão acelerando a implementação de IA em operações industriais. O estudo destaca tanto os ganhos já observados quanto os principais desafios que surgem à medida que a tecnologia passa a atuar diretamente em sistemas físicos, redes conectadas e fluxos operacionais.
O levantamento global, realizado com metodologia duplo-cego, entrevistou mais de 1.000 tomadores de decisão de tecnologia operacional (TO) em 19 países, incluindo o Brasil, e abrangeu 21 setores industriais. Os resultados mostram que a IA já gera benefícios operacionais mensuráveis em aplicações como automação de processos, inspeção de qualidade automatizada, manutenção preditiva, logística e previsão energética.
No entanto, o avanço da tecnologia também expõe limitações estruturais. Segundo o estudo, muitas organizações enfrentam uma defasagem de prontidão em áreas como infraestrutura de rede, cibersegurança e integração entre TI e TO, o que impacta diretamente a capacidade de escalar soluções de IA em ambientes de produção.
“A IA industrial está saindo da experimentação para a produção, onde os sistemas de IA sentem, raciocinam e agem no mundo real”, diz Vikas Butaney, Vice-Presidente Sênior e Gerente Geral de Roteamento Seguro e IoT Industrial da Cisco. “Nesta fase, o sucesso não é mais determinado apenas pelos modelos, mas sim se as redes, a segurança e as equipes estão prontas para dar suporte à IA na borda (edge), em movimento e em escala. A pesquisa mostra que as organizações confiantes em escalar a IA são aquelas que tratam a infraestrutura, a cibersegurança e a colaboração TI/TO como fundamentais, não opcionais.”
Entre os dados do estudo, 61% das organizações (66% no Brasil) já utilizam IA em operações industriais em tempo real, enquanto 20% (38% no Brasil) relatam implementações maduras e em larga escala. A expectativa de investimento também é elevada: 83% globalmente e 86% no Brasil planejam ampliar aportes em IA, e 87% globalmente e 96% no Brasil esperam resultados relevantes nos próximos dois anos.
A pesquisa indica ainda que setores como manufatura, transporte e serviços públicos estão entre os que mais avançam no uso de IA para visão computacional, robótica, mobilidade e operações críticas. Apesar disso, a expansão depende cada vez mais da capacidade das empresas de sustentar infraestrutura e conectividade em escala.
A prontidão da rede aparece como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o estudo, 97% (96% no Brasil) das organizações esperam impacto das cargas de trabalho de IA nos requisitos de rede industrial. Além disso, 51% (59% no Brasil) projetam aumento nas demandas de conectividade e confiabilidade, enquanto 96% (100% no Brasil) afirmam que redes sem fio são essenciais para viabilizar a IA.
A cibersegurança também se destaca como elemento central nesse processo. Para 98% (100% no Brasil) dos entrevistados, ela é fundamental para uma infraestrutura preparada para IA, enquanto 40% (49% no Brasil) a apontam como o principal obstáculo à escalabilidade. Ainda assim, 85% (95% no Brasil) acreditam que a própria IA poderá melhorar a postura de segurança das organizações.
Outro ponto destacado pelo estudo é a colaboração entre TI e TO, considerada essencial para viabilizar a adoção em larga escala. Empresas com maior integração entre essas áreas relatam mais confiança na expansão da IA e maior estabilidade operacional. No entanto, 43% das organizações globalmente (18% no Brasil) ainda afirmam ter colaboração limitada ou inexistente entre as equipes.
]]>Para 2026, a meta da Google Cloud é ambiciosa: não só se tornar a primeira nuvem do Brasil, como também ser o primeiro parceiro escolhido pelas empresas para discutir estratégias de transformação com IA. O objetivo extrapola os desafios locais. No ano passado, um estudo realizado pela consultoria Canalys mostrou que a empresa era a terceira principal provedora de nuvem do mundo, com 11% do mercado global, ainda atrás da AWS (32%) e da Microsoft (22%).
A escolhida para liderar essa retomada foi Milena Leal, nova gerente-geral da companhia no Brasil. Em abril, a executiva completou seis meses de gestão e, desde que assumiu o cargo, em outubro de 2025, tem focado seus esforços em conhecer novas áreas de atuação e trabalhar a mentalidade de sua equipe diante de um cenário considerado dinâmico e desafiador.
“Quando assumi essa posição, meu desejo inicial era imprimir a minha marca, trazendo energia, garra e conectando a nossa tecnologia ao propósito dos clientes. Viemos de um ano muito duro, 2025, e eu queria motivar o time, entender os medos e os desafios, para mostrar que é possível criar caminhos e trabalhar de maneira leve”, conta.
O “ano duro” ao qual Milena se refere tem origem em um cenário de profunda transformação. Impulsionadas pela chegada da inteligência artificial (IA), muitas empresas elevaram seus investimentos na tecnologia, mas ainda enfrentam dificuldades para justificar o retorno ao investimento (ROI) e se veem inseguras diante do ritmo das mudanças. A crise de memórias, que afeta a cadeia de fornecedores globais, adiciona uma camada de incerteza às entregas, mesmo em um mercado em expansão: de acordo com a Sky.One, a migração para nuvem deve crescer 276% entre 2020 e 2026, chegando a US$ 448,34 bilhões este ano.
Nesse cenário, Milena aposta em uma estratégia segmentada por indústria, criando pacotes direcionados para cada setor com o objetivo de entregar propostas de valor claras e retorno ao investimento rápido e tangível. A abordagem é a mesma que a executiva ajudou a construir na companhia há seis anos. Ainda assim, ela afirma não ter receio de mudar de rota, se necessário.
“Se daqui seis meses o caminho traçado não for o melhor para atingir os objetivos do ano, faremos a correção de rota. Trabalhar a mentalidade com a equipe é fundamental nesse momento, para que estejamos preparados para mudanças constantes”, ressalta.
Para ela, a maior preocupação hoje não são os números, mas a execução correta da abordagem para o mercado. “Cada indústria tem suas demandas e, com uma abordagem mais personalizada, o cliente consegue implementar sua estratégia com rapidez. A parceria se fortalece quando a conversa deixa de ser sobre infraestrutura e passa a tratar da resolução de um problema de negócio”, afirma.
É a partir desse tipo de aproximação que Milena busca superar um dos maiores desafios dos provedores de tecnologia no Brasil: a resistência a experimentar. Esse comportamento, mais presente em setores como manufatura e agronegócio, tem sido percebido pela executiva, que afirma conseguir quebrá-lo ao apresentar casos de uso bem-sucedidos.
“Algumas indústrias estão mais propensas à adoção de IA do que outras, como varejo, finanças, saúde e bens de consumo. Ao mostrar quem já está usando, quem saiu na frente e como superou os obstáculos, as barreiras caem. A recomendação é não testar iniciativas pequenas, mas selecionar aquelas que realmente tragam impacto”, pontua.
Como parte da estratégia, desde o ano passado a Google Cloud tem investido em ampliar seu ecossistema no Brasil. As iniciativas incluem a inauguração de um espaço de inovação em agosto de 2025, o Cloud Space, e a expansão do programa Startup Hub, que apoia startups por meio de crédito e capacitação. Criado em São Paulo em 2024, o projeto chegou a Belo Horizonte, Recife, Curitiba e Salvador em 2025 e, este ano, deve passar novamente por BH, além de Porto Alegre, Florianópolis e Belém.
“O Brasil tem peso expressivo dentro da América Latina. Qualquer movimento que aconteça aqui impacta os números da região, estratégica globalmente para o Google Cloud. Muito do que é feito aqui se torna referência para o mundo, o que tem levado nossos executivos a olhar com atenção crescente para o País”, assegura.
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