Um estudo inédito revelou que governo brasileiro investe bilhões em serviços de big techs, além de expor riscos à segurança nacional e continuidade dos serviços públicos.
Um estudo inédito, conduzido por pesquisadores de três das principais faculdades do país, demonstrou que o Brasil gastou mais de R$ 10 bilhões com Google, Microsoft, Oracle e outras Big Techs apenas entre junho de 2024 e junho de 2025. No total, esse valor chega a R$ 23 bilhões desde 2014.
O estudo, conduzido por estudiosos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Brasília (UnB), e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que a principal beneficiada foi a Microsoft, que sozinha levou mais de R$ 3,2 bilhões em contratos desde 2023. Em seguida, aparecem Oracle (R$ 1,02 bi), Google (R$ 938 milhões) e Red Hat (R$ 909 milhões). A maior parte dos contratos inclui licenças de software (Office, Workspace e afins), além de serviços de segurança e nuvem.
Assim, o estudo revela, no mesmo momento em que o país defende a soberania nacional e digital perante gigantes da tecnologia estadunidense, que o Brasil continua a firmar contratos com as Bigs Techs, a maior parte sendo firmada pela rede municipal e estadual, e abre espaço para o debate acerca dos dados dos brasileiros nas mãos de estrangeiros, tornando-os vulneráveis a espionagem, por exemplo.
O risco de uma “rasteira” dos EUA
A preocupação com espionagem cibernética não é nova, vide o exemplo do caso Edward Snowden, analista de sistemas que tornou diversos documentos do governo dos EUA referentes ao assunto.
A reeleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu os alertas. Na Europa, Alemanha e Dinamarca já anunciaram o abandono de soluções da Microsoft, substituindo-as por softwares de código aberto.
O presidente Lula tem defendido a soberania digital e criticado a influência dos EUA, mas ainda não existem soluções à vista, principalmente em detrimento do lobby das Big Techs no Congresso Nacional.
Alternativas e reação no Congresso
A movimentação no Congresso Nacional em defesa da soberania digital brasileira enfrenta desafios: o lobby das Big Techs é forte e atravessa diferentes partidos, tornando difícil até mesmo o debate acerca da regulação das redes sociais, com seis projetos de lei (PL) parados, como o das Fake News (PL 2.630/2020), o PL 4.691/2024, PL 3.227/2021, PL 246/2021, e a alteração da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), PL 870/2021.
O estudo, contudo, demonstra um forte empurrão no debate da soberania digital, principalmente após vazamentos massivos e recentes de dados de milhões de brasileiros, como a exposição de mais de 416 milhões de contas no país e 7 bilhões em vazamentos de cookies só no primeiro semestre deste ano.
