A Neuralink revelou novos avanços na sua tecnologia de interface cérebro-computador (em inglês, BCI), mostrando como o seu implante N1 já consegue converter sinais cerebrais em palavras.
Fundada em 2016 por Elon Musk, a Neuralink surgiu com o objetivo de desenvolver tecnologia BCI capaz de ligar diretamente o cérebro humano a dispositivos digitais.
A empresa trabalha em implantes cerebrais que leem e estimulam a atividade neural, permitindo potencialmente ajudar em casos de doenças neurológicas como Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa que afeta gradualmente a capacidade de movimento e fala, lesões da medula espinal e outras condições que afetam o movimento, a comunicação ou as funções cognitivas.
O principal produto em desenvolvimento é um pequeno chip implantado no cérebro que utiliza elétrodos para captar sinais neuronais e traduzi-los em comandos digitais.
Apesar dos avanços promissores, a tecnologia ainda está em fase experimental, com pequenos avanços a representarem grandes vitórias rumo ao ambicioso objetivo.
Na terça-feira, 24/03, Elon Musk afirmou que a Neuralink está “a restaurar a fala”, depois de a empresa ter demonstrado o seu implante cerebral a converter os pensamentos de Kenneth Shock, um paciente com ELA, em palavras audíveis.
O implante capta a atividade neural associada à fala e converte-a em texto, que depois é vocalizado através de um programa de computador, assemelhando-se à voz do utilizador.
Num artigo no seu website oficial, a Neuralink descreveu como interpreta os sinais relacionados com a fala: “Existem certas áreas do cérebro que se ativam e geram sinais que são enviados para os músculos da boca, da língua e da laringe”.
O sistema da Neuralink baseia-se em aprendizagem automática para mapear sinais cerebrais para fonemas, as menores unidades de som.
Os engenheiros começaram por treinar o modelo, pedindo a Shock que falasse frases em voz alta, depois que as movesse apenas silenciosamente com a boca e, finalmente, que apenas imaginasse falar.
O sistema está a tentar descodificar a “fala imaginada”. O paciente está apenas a pensar nas palavras, sem mover os músculos da boca ou emitir sons, e o algoritmo está a traduzir esses sinais em texto.
Na fase final, o sistema conseguiu detetar a fala pretendida sem qualquer movimento físico, montando fonemas em frases completas.
Esta demonstração está inserida no ensaio clínico Voice da Neuralink, que continua na fase experimental. Apesar dos atrasos no processamento e os desafios de precisão, a empresa tem trabalhado para melhorar a velocidade e a fiabilidade do seu sistema.
Afinal, o objetivo é “construir um sistema que vá diretamente do cérebro para a voz em tempo real”, segundo Granatir.
