Uso de drones, inteligência artificial e análise territorial avança na prevenção de arboviroses, reduzindo custos e acelerando respostas em municípios.
O avanço tecnológico tem sido incorporado de forma crescente às estratégias de vigilância epidemiológica no Brasil. Um estudo da iniciativa científica SMART Dengue Control – Integrated Use of Artificial Intelligence and Biological Methods against Aedes aegypti aponta que a integração entre inteligência artificial e análise territorial contribui para ampliar a precisão na identificação de possíveis criadouros, reduzir o tempo de varredura e expandir o monitoramento em áreas urbanas, especialmente em regiões de alta densidade populacional e de difícil acesso.
A adoção dessas ferramentas está alinhada a um movimento observado em outros países, nos quais drones, automação e sistemas de análise de dados vêm sendo utilizados como apoio às políticas públicas de prevenção. O cenário de mudanças climáticas, crescimento urbano e aumento populacional tem levado pesquisadores e gestores a discutir novas abordagens para o enfrentamento das arboviroses.
Nesse contexto, iniciativas desenvolvidas no Brasil vêm sendo utilizadas por municípios como apoio às ações de controle do mosquito. Entre elas está o Techdengue, programa voltado ao suporte operacional das gestões municipais, que integra mapeamento aéreo, aplicação localizada de insumos e análise geoespacial de dados para subsidiar o planejamento das ações de campo.
O programa foi estruturado a partir da integração dessas tecnologias, permitindo que informações territoriais sejam utilizadas de forma sistemática na definição de áreas prioritárias. De acordo com Cláudio Ribeiro , idealizador do Techdengue, “o uso combinado dessas ferramentas possibilita transformar dados coletados em ações preventivas mais direcionadas”.
Monitoramento aéreo e apoio às equipes de campo
Em municípios onde o programa é adotado, drones realizam inspeções aéreas para identificar locais com acúmulo de água, como lajes, caixas d’água elevadas, telhados e áreas de difícil acesso, que nem sempre são alcançados pelos métodos tradicionais de inspeção. As imagens obtidas são processadas e convertidas em relatórios técnicos e mapas de risco.
Esses materiais são utilizados pelas secretarias municipais de saúde para orientar o deslocamento de agentes e a organização de mutirões, apoiando a priorização das áreas com maior probabilidade de infestação. O uso de dados georreferenciados permite uma leitura territorial mais precisa e contribui para o planejamento das ações preventivas.
Aplicação e acompanhamento das ações
Dados do programa indicam que o Techdengue já foi aplicado em mais de 600 municípios, com mapeamento superior a 150 mil hectares. Em áreas monitoradas, foram observadas reduções significativas na presença de focos do mosquito após a adoção das medidas orientadas pelos levantamentos técnicos.
Segundo Ribeiro, “a proposta é apoiar os municípios na antecipação dos riscos, utilizando informações técnicas para orientar a prevenção e reduzir a necessidade de respostas emergenciais”.
Uso de tecnologia na vigilância epidemiológica
Estudos acadêmicos, como o SMART Dengue Control, indicam que a incorporação de drones, inteligência artificial e análise territorial pode ampliar a capacidade de análise, planejamento e resposta das gestões municipais, especialmente em períodos de maior transmissão.
Para o idealizador do programa, a tecnologia atua como complemento ao trabalho das equipes locais. “As ferramentas ampliam o alcance das ações, contribuem para a identificação antecipada de riscos e oferecem subsídios técnicos para a tomada de decisão no âmbito da saúde pública”, afirma.
Sobre o Techdengue
O Techdengue é um programa voltado para a saúde pública que utiliza drones e análise de dados geográficos para conter a proliferação Aedes aegypti. Com a aplicação de inteligência artificial e o uso de algoritmos sofisticados, são geradas informações precisas sobre as áreas de risco, permitindo ações rápidas e eficientes para o controle do mosquito e a prevenção de surtos de doenças transmitidas pelo vetor.
